Oito anos depois.





























Um sorriso. A primeira vez de um sorriso. Aquele momento perene, que não se esquece, não se apaga. Aquele momento inesquecível, que a memória conserva. O doce singelo que marca a vida. O tempo voou. Mas o sorriso, esse continua cá. Malae




24 de Novembro.


Neva sobre a Marginal
só que a neve não espera
não se vai com a primavera
nem fica à espera no chão
Neva sobre a Marginal
quem me dera que mar fosse
o mar é muito mais doce
e não fere o coração
(Luís Represas, Neva sobre a Marginal)

Um beijo. Um beijo. Um beijo. Um beijo. Um beijo. Um beijo. Um beijo.

Um beijo. Um beijo. Um beijo. Um beijo. Um beijo. Um beijo. Um beijo.

Malae

Chave.

«Rodo a chave na mão. Sinto-a. Relembro o seu significado. A chave do caminho certo. A chave do que de bom podemos querer e do que realmente vem. A chave que fecha uma porta sem fechadura. E abre uma pequena porta cujo significado é sempre questionável. Um pequeno pedaço de metal, cujo frio traz de volta a realidade. Uma chave que devia estar escondida. Uma historia que se repete, num ciclo construído sem motivo sem noção. Um simples momento que se julga de batalha ganha, para depois se perceber que foi apenas uma trégua de uma “guerra” que não acaba. Uma chave sem sentido, apenas com um pequeno brilho que alegra. Uma pequena chave. Aquela que por vezes foge da gaveta e aprece do nada fazendo estragos. Porque irremediavelmente, volta a esconder-se e a deixar aberta a porta que não tem como se fechar. Aperto a chave na mão. Sinto-a. Relembro o seu significado. O melhor é voltar a guardar a chave.»
Malae






Regalo.

Um encontro do destino. Um segredo acolhido no fundo da alma. Um momento escrito a medo e loucura. Um saber incerto na certeza de viver.

Nos presentó tu amiga
la que dice que adivina futuros por venir
no sé que más decir
sentado del pasillo en una orilla
¿te acuerdas ya de mí?

Um sorriso perdido num recanto escondido. Um gesto simples de afecto e doçura. Um olhar que desbrava mil caminhos. Um sentido que ganha vida e cor.

Regálame la silla, cansada de la esquina
donde te esperé, donde siempre te esperaba, amor
yo puedo regalarte alguna risa
y hacer una canción
y un pañuelo de lunares
te regalo tiempo pa' que te lo pongas
y una promesa, niña
si te encuentro un día
te pienso dar de una
todos aquellos besos que te merecías


Uma historia que se constrói aos poucos. Uma espera quente e compensadora. Uma alegria inolvidável e acolhedora. Uma gargalhada perfeita e conquistadora.


Por el puente de la esperanza
buscaba un rinconcito para la risa
pensando que ha valido la pena amarte
pasamos momentitos tan flamenquitos
y vimos rinconcitos pa' enamorarse
la calle del pensamiento
me lleva a aquella orilla, no sé si te acuerdas
regálame la silla que tiene arte
yo paso por tu puerta casi to' os días
yo paso y tú decides cuándo asomarte
cuando asomarte

Um doce momento que espreita e fica. Um banco testemunha cega e perdida. Um querer mais do que se pode. Um amar mais do que se quer e se consegue.

Y hasta volvieron de las rimas
imágenes jugando, colgás de no sé qué
seguro que era abril
volvieron todas, todas menos una
que se olvidó de mí

Uma criança que renasce todos os segundos. Uma fria ribeira que não se perde e se encontra. Uma simples manha envolvida em sorrisos. Uma memória perfeita e desenhada a paixão.


Que el pañuelo es pa' llorarte
y no tiene remedio para el que componga
si alguna vez te encuentro por mi cobardía
te pienso dar de una
todos aquellos besos que te merecías


Um suspiro envolto na esperança. Um voltar todos os momentos. Um acreditar sem limite. Um viver em ti até ao fim.

Por el puente de la esperanza
buscaba un rinconcito para la risa
pensando que ha valido la pena amarte
pasamos momentitos tan flamenquitos
y vimos rinconcitos pa' enamorarse
la calle del pensamiento
me lleva a aquella orilla, no sé si te acuerdas
regálame la silla que tiene arte
yo paso por tu puerta casi to' os días
yo paso y tú decides cuándo asomarte
cuando asomarte.
Regalame la silla donde te esperé * Alejandro Sanz
Malae


Palma da mão.

Carta perdida no tempo, no espaço e no sabor do vento.
Malae


«Sei-te triste, desanimado, irritado. Não preciso que o digas, que não preciso que o contes. Conheço-te. Conheço-te como a palma da minha mão. E sei o quer dizer aquele olhar perdido no horizonte, aquela cabeça baixa, aquele mexer de ombros desanimado. O mundo naquele momento fugia-te debaixo dos pés, preso em simples linhas que não conseguias dominar. Darias tudo para voltar fracções de segundos atrás e mudares aquela situação. A raiva consumia-te por dentro! A raiva contigo próprio. Trazias o peso do teu perfeccionismo nas tuas asas e sentias-te vergado aos instantes que não controlaste. E a tua luta, a tua incessante luta, não te permitia remediar nada. Conheço-te. Conheço-te como a palma da minha mão. Sei que detrás desse lado forte, o que se passa te afecta. Sei que no teu íntimo, as coisas são colocadas em causa. Sei que naqueles momentos de silêncio que não gostas, as dúvidas te assolam. Sei que no intervalo de duas gargalhadas, os fantasmas te perseguem. Mas sei muito mais. Sei que nada nem ninguém te poderão pôr em causa. Sei que nada é mais forte que esse tua irascibilidade perfeccionista. Que pode haver quem lute como tu, mas nunca mais do que tu. Pode haver quem torça, mas tu és dos que prefere quebrar. Pode o mundo ir desabar mas o teu altruísmo leva-te sempre um passo mais à frente. E sei tudo isto porque te conheço. Conheço-te como a palma da minha mão. E nunca, por nunca, duvidei que vales a pena. Que independentemente do minuto seguinte, os 60 segundos anteriores já nada roubaria. Sei o quanto vale a tua palavra, o teu sorriso, a tua força. Sei o quanto te dás, o quanto te entregas, o quanto te esgotas. A pessoa que és, que fazes os outros serem, que deixas os outros serem. O exemplo de quem te quer bem. São muitos os que se orgulham de ti. São muitos os que te prezam. São muitos os que sabem que amanha será sempre melhor. E tu, vais ser tu, que o vais novamente provar. Porque foste tu que acreditaste que era possível. Foste tu que sonhaste. Foste tu que conquistaste.
Eu... eu gosto de ti! Muito!

Andrea!»





[“Aunque lo diga la gente, yo no lo quiero escuchar. No hay más miedo que el que se siente cuando ya no sientes na'. Niña tú lo ves tan fácil, ay amor, pero es que cuanto más sencillo tú lo ves más difícil se te hace”*]

Pequeno Grande Génio.


Um post diferente. Dia de clássico. Um daqueles jogos que nos deixa o coração a palpitar do primeiro ao último momento. Um jogo visto à moda antiga, no meio da claque. Vicissitudes de quem chega com o jogo a meio. A chuva que irritante não pára de cair. Os cânticos loucos que saiem das gargantas sedentas de golos. E ele, pequenino, franzino e de pés de lã, no meio de colegas e adversários. E sem querer, os olhos fixam-se naquele pequeno grande génio. Um jogador tão jovem e tão adulto. Um jogador completo. Um jogador perfeito. Um jogador que faz valer todos os cêntimos que custa um bilhete. Confesso a minha admiração. Confesso o meu orgulho. Passaram pelas camisolas do meu clubes grandes jogadores. Craques que ganharam títulos pelo mundo, que se tornaram os melhores entre os melhores. Passou pelo meu clube o jogador que mais admirei até hoje: Paulo Sousa. Mas nunca nenhum me cativou desta maneira. O jogo contra a Rússia em sub-21, em Gaia, tinha sido já extraordinário. Mas ontem tudo voltou a ser Moutinho. Tudo passou por aqueles pés cheios de talento, por aquela cabeça que pensa o futebol como ninguém. Simplesmente fantástico. Talvez para o ano, talvez não, de certeza, para o ano não estará cá. Encantará outra plateia. Apaixonará outros que se renderão aquele pequenino que corre como uma formiguinha. O Sporting perderá muito. Acho que será a saída mais difícil de colmatar. Levem antes o Nani, é a minha opinião. Deixem-no cá, que ele é a alma daquela equipa. Deixem-no cá, que ele é quem faz sonhar os sportinguistas. Deixem-no cá, porque ele é simplesmente um grande orgulho. Um pequeno “clone” daquele que considero o melhor jogador do mundo. Um pequeno João, que em breve será tão grande como Frank Lampard. Tivesse o potente remate do inglês e onde acabaria este menino. Um dia será grande. Ainda maior. Sem os virtuosismos técnicos daqueles que preferem jogar para si, vai impor-se em qualquer equipa. Porque com ele ganha o colectivo. Porque ele é a expressão máxima do futebol. E porque qualquer que seja o futuro, foi um prazer ver-te crescer. Obrigada, Moutinho!

Malae

João Moutinho

Primeiro dia.


O que se faz quando se está a um passo de realizar um sonho e se tem um medo enorme de falhar?!
Malae

Expectativa. Ansiedade. Esperança.

[A insustentável leveza das palavras... de Lisboa a Timor. Fazes-me falta.*]

Recuerdo.*

Um cd escondido, guardado. Uma música riscada, perdida, sentida. Uma melodia que voa nos céus da saudade cravejada de memórias e pensamentos. Um sentir que volta a ganhar forma naquelas notas quentes das noites de despedida. Repetições, repetições, repetições. Uma música tocada sem soar já. Vivida como uma banda sonora presente, omnipresente e poderosa. As notas da hora do adeus. As notas de uma história de cor. Uma música apenas.

Ouvi-te e recordei-te. Malae


Un adiós se llevó
los años más felices de mi vida
dejándome el alma triste y fría
volviendo a la soledad
y a pensar como estarás.
No te puedo olvidar
tu ausencia es algo que me tiene herida
la noche es larga y mi cuerpo extraña
el amarte otra vez
como ya lo hice ayer.
Hoy sin tí
empiezo a recordarte
empiezo a lamentarme
como ya lo hice ayer
como ya lo hice ayer.
Ya no puedo reir
no sabes cuantos días te he llorado
al no tenerte más entre mis brazos
ni besar tu boca más
y ni sentir tu fuego ya.
Y es que no se vivir así
tú lo eras todo para mí
anhelo verte
para hablarte de todo
quiero llamarte y susurrar
te quiero!
como yo te quise ayer
como ya lo hice ayer.
Hoy sin tí
empiezo a recordarte
empiezo a lamentarme
como ya lo hice ayer
como ya lo hice ayer
......volveré....


Empiezo a recordarte. Mónica Naranjo.


Volveré.

Nota musical.

Solta-se a nota musical
Na voz límpida e segura
Voando nas asas do amor
No caminho de pedras de sonho
Perde-se a melodia nos ouvidos da ternura
No doce encanto de um tesouro.
Sente-se a vontade, o querer, o vencer
Vive-se a alegria única e constante
Conquista-se o mundo num sorriso
Escreve-se sem medo na pauta da vida
Guarda-se o mundo na canção perfeita
Partilhada num momento de amigos.


Malae

Parabéns, Nipinha!

Rastilho.



[um dia. sempre um dia a mais. sempre um dia a menos. sempre um dia que ainda está para vir. mais uma página que se escreve. mais se uma pagina que se acrescenta. mais uma página que se guarda. mais uma página que se rasga. um caminho a seguir. um tempo a consumir. um amor a prevalecer. um amanha para enfrentar. uma vida a renascer. a luta de todos os dias.]


Voam no silêncio
As palavras doces
Guardadas para ti
Navegam no céu estrelado
Os sonhos crentes
Perdidos nos teus braços
Dançam nas águas quentes
Os pensamentos apaixonados
Escritos nas linhas do teu corpo
Riem como crianças
As lembranças sempre presentes
Construídas nas margens das tuas páginas
Suspiram entre melodias de embalar
As saudades embrenhadas na pele
Como o doce cheiro do teu perfume
Dormem fechadas como conchas
As esperanças entrelaçadas no teu sorriso
E presas no poder de um momento
Renasce o amor escondido e desejado
Guardado no cofre da memória
Perdido nas chaves da vida
Vivem no corpo os sentidos
Esperando de novo a força do querer
Nesse rastilho que há em ti.

Malae


Luz e rastilho

Sem parar.

Gargalhas que ressoam
No doce mundo das lembranças
Sentidos postos em sentido
Na saudade da presença assídua
Traços de alegrias e tristezas
De partilhas e arrufos
Pedaços de vidas enroscadas
Em paredes brancas pintadas de vida
Mundos cá fora dispersos
Caminhos distantes e carentes
Lembranças carinhosas e constantes
Saudades primeiras e vividas
Minutos, dias, anos
De construção, de devoção, de entrega
Relações perfeitas na imperfeição
Notas que juntas dão a pauta certa
Seres que unidos atingem a suave doçura do certo
Trechos de um filme sem fim
Frames inesquecíveis e brilhantes
Rocha firme e sólida
De uma amizade feitas de momentos
Sem parar!


Ao que de melhor me trouxe a ESCS. Non Stop. Sempre.

Malae



(Apesar de todos os ses. Apesar de todos os porquês. Apesar de tudo o que nos espera. Apesar dos dias longe. Apesar dos esquecimentos. Apesar do que poderá ser um dia… Estão sempre lá aqueles sorrisos, os abraços, as loucuras, as saudades, os reencontros. Que seja assim pela vida fora! Obrigada às quatro! ****)

Longe.

Sinto-te longe.
Naquela distância de apenas poucos metros
Naquele espaço tão pouco e tão vazio
Sinto saudades do teu sorriso
Aquele que socorre as horas más
Aquele que acolhe e protege
Sinto-te longe.
Apenas a uns passos do caminho comum
Tão perto de um estender de mão
Sinto saudades das tuas palavras sábias
As que acertam sempre na sua razão
As que sabe sempre a carinho e amizade
Sinto-te longe.
Como se aí fosse do outro lado do mundo
Um sol que nos separa ou nos une.
Sinto saudades do teu abraço
O remédio santo de uma alma por vezes perdida
Entre a euforia e a lágrima compreendida
Sinto-te longe.
Como se a Terra não fosse a casa de ambos
Como se nos cruzássemos em pistas diferentes
Sinto saudades de ti.
Aquele que tem palavras doces e simples
Perdidas quando os olhos encontram os meus.
Sinto-te longe.
Mesmo que por vezes andes por aqui.


Malae
[Domingo.*]

Ilha.


Os acordes perfeitos. Uma voz que ressoa nas estrelas da noite. Um mundo que pára num silêncio respeitador. As lágrimas que teimosas não se escondem. O navio que parte. O navio que volta. O navio que nunca abandona. O amor dorido mas sempre presente. As historias de uma vida escritas nas cores do mundo. Um balanço que nos arrasta numa viagem pelo sentir. A terra longe cheia de sonhos. A esperança. A conquista. A ilusão da glória. As palavras que juntas fazem sentido. O rumo da vida. A pequena partitura, tão grande em beleza, que cada dia desenha melhor o caminho e se torna mais certa. O pequeno lugar seguro num mundo rodeado pelas águas do destino.

Se vai ao mar

Navio da boa hora

Pode encalhar

Na ilusão da glória

Em prata e oiro

Direi então a história

De um marinheiro

Que à Pátria não voltou

De amores primeiros

Se abandonou ao vento

Nos mares do Sul

Seu coração ficou

Ilha gentia

Viva no pensamento

Da aventura

À voz de uma monção

Que assoprou leve

O caminho a Oriente

À nau feliz

Por nunca mais voltar

Ilha, Escstunis


ESCS

[A todos aqueles que se deixam tocar pela simplicidade perfeita desta música. A todos aqueles que partilharam um momento brilhante. A todos aqueles que de mais próximo estiveram na noite de ontem. A todos aqueles que pintaram de prata e oiro uma noite brilhante. Obrigada* Malae]

Corpo.

Corpo dorido e perdido. Corpo vivido e sentido. Corpo que quer esquecer. Corpo que precisa de reagir. Corpo que se perde. Corpo que se em momentos. Corpo que não aguenta mais. Corpo que chora. Corpo que ri. Corpo que acredita. Corpo que desespera. Corpo que não sabe. Corpo que não quer. Corpo que anseia. Corpo que vive. Corpo que te ama.




Sinto-te passear no meu corpo
Corres-me nas veias
Penetras-me na pele
Controlas a respiração ofegante
Dás vida aos lábios secos
Comandas o corpo que ganha vida
Paras o mundo como só tu o sabes fazer
Trazes o desejo e a paixão
És perfeição perdida e consentida
És domínio e querer sem pensar
És destino e desencontro
És procura e conquista
Requintes de doçura
Espalhados em lençóis quentes
Abrigo das noites desertas
Controlo desenfreado preso
Num sentir sufocante
Que te torna real e presente
Reacção perfeita de um corpo
Sem força para te combater
De uma alma presa ao teu destino
De uma vida sentida em ti.

Malae
[Poema sem destino. Poema sem dono. Poema sem nexo. Costuma-se dizer que escrever vem da alma, que escrever por vezes dói. Linhas de sentir perdidas na força. Palavras arrancadas do intimo. Sentimentos que precisam de sair. Um esforço em vão. Uma tentativa de encontrar o caminho. Confidências arrancadas a fogo no meio de uma pausa na luta diária. Na tentativa vã do esquecimento. Na busca louca de seguir em frente. De domar a saudade. Essa saudade por vezes boa por vezes má. Essa saudade que traz um sorriso e uma lágrima. Essa saudade que nenhuma linha apaga, por muito que se tente. Porque o corpo que a transporta precisa de paz. Porque o corpo que a transporta se sente vencido. Porque o corpo que a transporta não sabe o que fazer com o que sente. Porque o corpo que a transporta não sabe lidar com esse amor. porque esse corpo não sabe o que fazer contigo.]


*Raras são as vezes que leio o que escrevo e eu própria me perco. Raras são as vezes que busco um sentido nos rabiscos que deito nas folhas. Raras são as vezes que questiono as palavras debitadas à velocidade do pensamento. Mas hoje perdi-me. Porque luto contra ti e contra o que sinto. Porque continuo a procurar respostas e força. E porque continuas a ser caminho.

Contradições.[e delírios*]

Uma cabeça que lateja. Tudo dentro dela parece em guerra e mutação. São as ideias claras que se digladiam com os sentimentos, procurando fazer prevalecer o razão cada vez mais necessária. Um corpo que não consegue reagir. Tenta, tenta, tenta. Por todos os meios, quer ser insensível, não deixar transparecer o efeito que aquele olhar lhe provoca. A alma, a alma extenuada, nada consegue fazer. Sente saudades, sente um vazio, sente, sente sempre. Não sabe mais que fazer. Quer esquecer, fingir que não aconteceu, demonstrar que já não é, gritar ao mundo que conseguiu. Mas a porta não se fecha, a janela não desce, as forças escasseiam. O som doce de um nome simples, a pele que se arrepia quando sente passar, o toque no cabelo, o sorriso maroto, o canto de quem fala, a beleza escondida, a simplicidade, a força de vontade, o sorriso, o abrigo, a vida. Nada se esconde na gaveta fechada, nada se apaga na página rasgada. Tudo é. E a alma, vagueando no meio do seu sentir, continua a querer destruir o tudo. Antes que o tudo a destrua a si. E ela se esgote cansada de gritar...

Contradições da Natureza

... Odeio-te porque te foste embora. Odeio-te porque ainda sinto a tua falta. Odeio-te porque todos os dias tenho saudades tuas. Odeio pela pessoa que és. Odeio-te pela pessoa que era quando estava contigo. Odeio-te por me teres tornado uma pessoa diferente. Odeio-te por teres quebrado as minhas forças. Odeio-te por me teres mostrado as minhas fraquezas. Odeio-te por te ter que agradecer por isso. Odeio-te por me fazeres sorrir com vontade. Odeio-te por me teres feito ver que chorar não é uma vergonha. Odeio-te por teres um sorriso que ilumina o mundo que te rodeia. Odeio-te porque esse sorriso me enchia de alegria. Odeio-te porque fazias questão de te rires mesmo nas conversas sérias. Odeio-te pela tua alegria de viver. Odeio-te pela tua força. Odeio-te porque sabias sempre o que dizer. Odeio-te porque quase sempre tinhas razão. Odeio-te por me fazeres dar o braço a torcer. Odeio-te porque acordavas sempre bem disposto. Odeio-te porque nunca desistias. Odeio-te porque o teu abraço era um mundo que não queria abandonar. Odeio-te porque me fazias feliz. Odeio-te porque a tua ausência é tão forte como a tua presença. Mas que raio?!... Não era mais simples não te amar?!...

Malae

* delírios reeditados.

[um] jogo.

És um jogador! Jogas em todas as áreas da tua vida! Mas o problema maior talvez não seja esse… afinal a Vida é um jogo! O pior é a maneira como jogas! És um competidor nato, mas não ganhas a qualquer custo! Não… o teu jogo seduz, cativa quem o vê, prende a atenção, leva-nos a entrar nele! E depois começas a dispor dos jogadores (sim, tu não recusas nenhum jogador) tendo em conta as tuas preferências e não as deles! És o treinador que tudo controla, como nos jogos de futebol que tanto gostas! Mas o plantel é excessivo… e tens que rodar as pessoas! Algumas mudam de posição no teu campo, mas outras vão para o banco! E aí fazes aquilo que mais detestas que te façam – nem uma explicação! Continuas o teu jogo e olhas para as pessoas a sorrir, como se isso fosse motivo para te desculparem! Mas ninguém sai do teu jogo… continua-se lá preso, à espera que voltes a mudar a equipa e pegues de novo no jogador que ficou esquecido no banco, a olhar em volta, muitas vezes sem perceber o que aconteceu! O teu jogo continua sedutor, cativante! A Vida é um jogo! Mas sabes que podias fazer?! Ao menos perguntar-nos se queremos fazer parte dele!!!! *
Malae


Is it getting better

Or do you feel the same?

Will it make it easier on you now

You got someone to blame?

You say

One love, one life

When it's one need

In the night

One love

We get to share it

It leaves you, baby

If you don't care for it

Did I disappoint you

Or leave a bad taste in your mouth?

You act like you never had love

And you want me to go without

Well, it's too late

Tonight

To drag your past out

Into the light

We're one

But we're not the same

We get to carry each other

Carry each other

One (...)

U2


* reeditado. quando o tempo passa e tudo continua a fazer sentido. o jogo da nossa vida deve ser preparado com cuidado.

Aos noivos.


Um olhar doce e terno
Que finta o tempo que foge
O sorriso perfeito
De quem acredita no amor
Uma dança singela
Nos passos de um violino
Um branco transparente
De um sentir em sintonia
Dois corações rendidos
Na esperança do amanha
Voando nas asas de um sonho
Desejando a felicidade eterna
De uma vida que não se esgota
Mas revive num suspiro!
Malae

O amor nem sempre é um lugar estranho.

Porta.

[A vida são pequenas páginas que preenchemos todos os dias. Momentos que espalhamos com manchas que impregnam o nosso ser. Estórias doces e amargas que nos fazem crescer, querer, viver. Pequenos nadas com a força do mundo que nos moldam e nos criam. A essência do nosso ser. Mas o tempo passa e desgasta as folhas que com carinho guardamos. Algumas perdem-se. Outras permanecem fortes. Outras ainda são diferentes. Precisam do recanto do silêncio pedido. O silêncio obrigado de quem mais não pode fazer do que as partilhar em lembranças. As páginas que se fecham a sete chaves nunca se podem perder… mesmo que um dia a porta se feche!]



Fecho a porta não porque quero
Mas porque a tua voz doce o pede
Guardo num canto sagrado
O que aqui vai, a saudade, o sentir
Faço deles trapos velhos
Sem sentido e amachucados
Para não ter que lhes pegar mais
Para deles não me servir
Quando mascaro o dia a dia de sorrisos
Que escondem o desejo de um abraço teu
Prendo o céu azul dos teus olhos
A um mundo de nuvens
Para não me perder no caminho dos teus sonhos
Colho a seara do teu cabelo
Para que possa percorrer os campos
Sem sentir o doce toque do teu ser
Peço aos pássaros que sussurrem
Para não me deixar voar na música do teu embalo
Finjo que o passado é uma página rasgada
De um livro que por perdido não existe
Estrangulo as palavras para que a voz
Embargada não me traia ao som do teu nome
Deixo que as palavras não escrevam
O que coração tolo quer dizer
Peço ao mundo que não me oiça
Não vá eu não me conter


Malae

25 segundos.

Aqueles que o tic-tac marca impaciente
O som melódico de uma vida que segue
Um coração que pulsa
Num suspiro de crença
Um andar extenso que não acaba
Feito de pedras e flores sem destino
O céu azul um porto no horizonte
O sol quente o regaço escolhido
Uma tela que se pinta
Roubando as cores do mundo
As lágrimas que se gritam
Os sorrisos que se desenham
As palavras que se procuram e não se encontram
A esperança na palma da mão
E a utopia na mochila que pequenos
Carregam os desejos nas costas
Pelas montanhas do tempo
A bola que gira levando-nos com ela
Na viagem que começa num grito
E termina como num sonho
Alma extenuada e tranquila
Embalada no longo caminho para a felicidade!

Malae

Vida

[A todos os que completaram estes 25 segundos!]